• Confira o que rolou no
Prêmio Syngenta 2004


O mineiro Chico Moreira é o vencedor do
2º Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola

 

Chico Moreira

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A final do 2º Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola aconteceu no último dia 1º, no Teatro Alfa, em São Paulo, e teve como grande vencedor Chico Moreira. Com a música “Cachorro Doido”, ele recebeu o primeiro lugar e R$ 10 mil. Francisco Duarte da Silva, 58 anos, conhecido como Chico Moreira, é compositor e arranjador, natural de Borda da Mata (MG). Formou-se em música e toca diversos instrumentos de corda e sopro. Foi integrante da primeira formação da Orquestra Jovem da Sinfônica Brasileira. Em 1974, criou o grupo “Maria Déia”, com o qual atuou por quase dez anos. Atualmente, faz parte do grupo Couro, Viola e Voz e realiza trabalhos abordando a viola e suas diversas afinações, além de dedicar-se a pesquisas das formas de interpretação das músicas regionais brasileiras e portuguesa.

Para Chico Moreira, ser violeiro no Brasil não é fácil. “Por mais paradoxal que isso possa parecer, pode-se contar nos dedos os músicos que conseguem sobreviver do braço da viola. Isso se deve, entre outras causas, à atitude dos meios de comunicação, que há muito impõem ao público a música e o modo de ser de culturas que nada têm a ver com a nossa verdadeira realidade. É fundamental que aconteçam outros e outros prêmios que visem, principalmente, a criação de novas platéias, não só nas grandes cidades, mas também no interior.”
Chico ainda ressalta que nunca havia participado de um concurso. “Nunca me ocorreu participar de um concurso, até porque essa mentalidade competitiva é estranha ao universo violeiro. Quem conhece e convive um pouco conosco bem sabe do profundo sentimento de solidariedade mútua que nos une. Até porque, se assim não fosse, já teríamos sucumbido enquanto manifestação cultural.”

O festival classificou em segundo lugar Rogério Gulin, de Curitiba, com a música “Tempestade”; em terceiro, Marcus Ferrer, do Rio de Janeiro, com “Toada Serra Mar”; em quarto lugar, Elias Kopcak, de Campinas, com “Flecha do Tempo” e, em quinto, Daniel de Paula, de Cuiabá, com “Curva de Rio”.  Foram premiados, ainda, Neimar Dias, de São Paulo, com a música “Capim 1”, como Revelação, e Lauri da Viola, de Avaré (SP), com a música “Viola Regateira”, com o prêmio Aclamação.

O júri, presidido pelo também violeiro e curador do Prêmio Ivan Vilela, foi composto pelos músicos Arrigo Barnabé, Guinga, Paulo Bellinati e Paulo Freire e pelos críticos de música Tárik de Souza e Carlos Calado. 
Para Ivan Vilela, esta final do 2º Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola mostrou com mais clareza o quanto a viola se recria e se revitaliza. “Com finalistas menos conhecidos do público, alguns até novos no tocar viola, a final não foi menos memorável que a anterior. O alto nível das composições, o rigor na execução e um público afetuoso que lotou o Teatro Alfa nos faz crer que a viola veio realmente para ficar. O expressivo número de inscrições de adolescentes também nos mostra que tocar viola se perpetua.”

O violonista Paulo Bellinati avaliou o 2º Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola como “pioneiro no meio musical brasileiro. Vem se tornando essencial para a viola caipira, seus compositores e intérpretes. A final do festival vem confirmar o êxito de um projeto impar”.  O jornalista Tárik de Souza  afirmou ainda que “a consolidação do festival mostra que este prêmio vem ganhando força e espaço principalmente para as pessoas pelo interior do Brasil, que têm oportunidade de mostrar outros timbres, outras sonoridades, música bem feita”.
O 2º Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola recebeu 158 inscrições de músicas de violeiros de diversos estados do Brasil. Foram classificados para a final 16 violeiros selecionados em seis eliminatórias realizadas nas cidades de São Paulo, Goiânia, Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Recife e Curitiba. Os violeiros que participaram da final no Teatro Alfa tiveram suas músicas gravadas em um CD.

Também participaram da final do festival, Adelmo Arcoverde com a música “Repente Instrumental nº 1”; Adilson Rodrigues, “De Galho em Galho”; Amauri Falabella, “Deixa Di Sê Besta”; André Siqueira, “Tangram”, Cláudio Rabeca, “Cobra de Resguardo”; Leonardo Mariani, “Baião Violado”; Luiz Celso, “Passarinho”; Márcio Freitas, “Tocaia”; e Paulo Mourão, “Na Imensidão do Meu Silêncio”.

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