O mineiro Chico
Moreira é o vencedor do
2º Prêmio
Syngenta de Música
Instrumental de Viola
Chico
Moreira
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A final do 2º Prêmio
Syngenta de Música Instrumental
de Viola aconteceu no último dia 1º, no Teatro Alfa, em
São Paulo, e teve como grande vencedor Chico Moreira. Com a
música “Cachorro Doido”, ele recebeu o primeiro
lugar e R$ 10 mil. Francisco Duarte da Silva, 58 anos, conhecido como
Chico Moreira, é compositor e arranjador, natural de Borda da
Mata (MG). Formou-se em música e toca diversos instrumentos
de corda e sopro. Foi integrante da primeira formação
da Orquestra Jovem da Sinfônica Brasileira. Em 1974, criou o
grupo “Maria Déia”, com o qual atuou por quase dez
anos. Atualmente, faz parte do grupo Couro, Viola e Voz e realiza trabalhos
abordando a viola e suas diversas afinações, além
de dedicar-se a pesquisas das formas de interpretação
das músicas regionais brasileiras e portuguesa.
Para Chico Moreira, ser violeiro no Brasil não é fácil. “Por
mais paradoxal que isso possa parecer, pode-se contar nos dedos os
músicos que conseguem sobreviver do braço da viola. Isso
se deve, entre outras causas, à atitude dos meios de comunicação,
que há muito impõem ao público a música
e o modo de ser de culturas que nada têm a ver com a nossa verdadeira
realidade. É fundamental que aconteçam outros e outros
prêmios que visem, principalmente, a criação de
novas platéias, não só nas grandes cidades, mas
também no interior.”
Chico ainda ressalta que nunca havia participado de um concurso. “Nunca
me ocorreu participar de um concurso, até porque essa mentalidade
competitiva é estranha ao universo violeiro. Quem conhece e
convive um pouco conosco bem sabe do profundo sentimento de solidariedade
mútua que nos une. Até porque, se assim não fosse,
já teríamos sucumbido enquanto manifestação
cultural.”
O festival classificou em segundo lugar Rogério Gulin, de Curitiba,
com a música “Tempestade”; em terceiro, Marcus
Ferrer, do Rio de Janeiro, com “Toada Serra Mar”; em quarto
lugar, Elias Kopcak, de Campinas, com “Flecha do Tempo” e,
em quinto, Daniel de Paula, de Cuiabá, com “Curva de Rio”. Foram
premiados, ainda, Neimar Dias, de São Paulo, com a música “Capim
1”, como Revelação, e Lauri da Viola, de Avaré (SP),
com a música “Viola Regateira”, com o prêmio
Aclamação.
O júri, presidido pelo também violeiro e curador do Prêmio
Ivan Vilela, foi composto pelos músicos Arrigo Barnabé,
Guinga, Paulo Bellinati e Paulo Freire e pelos críticos de música
Tárik de Souza e Carlos Calado.
Para Ivan Vilela, esta final do 2º Prêmio Syngenta de Música
Instrumental de Viola mostrou com mais clareza o quanto a viola se
recria e se revitaliza. “Com finalistas menos conhecidos do público,
alguns até novos no tocar viola, a final não foi menos
memorável que a anterior. O alto nível das composições,
o rigor na execução e um público afetuoso que
lotou o Teatro Alfa nos faz crer que a viola veio realmente para ficar.
O expressivo número de inscrições de adolescentes
também nos mostra que tocar viola se perpetua.”
O violonista Paulo Bellinati avaliou o 2º Prêmio Syngenta
de Música Instrumental de Viola como “pioneiro no meio
musical brasileiro. Vem se tornando essencial para a viola caipira,
seus compositores e intérpretes. A final do festival vem confirmar
o êxito de um projeto impar”. O jornalista Tárik
de Souza afirmou ainda que “a consolidação
do festival mostra que este prêmio vem ganhando força
e espaço principalmente para as pessoas pelo interior do Brasil,
que têm oportunidade de mostrar outros timbres, outras sonoridades,
música bem feita”.
O 2º Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola
recebeu 158 inscrições de músicas de violeiros
de diversos estados do Brasil. Foram classificados para a final 16
violeiros selecionados em seis eliminatórias realizadas nas
cidades de São Paulo, Goiânia, Belo Horizonte, Ribeirão
Preto, Recife e Curitiba. Os violeiros que participaram da final no
Teatro Alfa tiveram suas músicas gravadas em um CD.
Também participaram da final
do festival, Adelmo Arcoverde com a música “Repente Instrumental
nº 1”; Adilson Rodrigues, “De Galho em Galho”;
Amauri Falabella, “Deixa Di Sê Besta”; André Siqueira, “Tangram”,
Cláudio Rabeca, “Cobra de Resguardo”; Leonardo Mariani, “Baião
Violado”; Luiz Celso, “Passarinho”; Márcio
Freitas, “Tocaia”; e Paulo Mourão, “Na Imensidão
do Meu Silêncio”.
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de Souza – MTb 15.635
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