Final do Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola acontece em São Paulo

A viola tem significado fundamental para a identidade musical brasileira. Apesar disso, e dos incontáveis violeiros que diversificam cada vez mais seu uso, ainda não havia uma premiação específica para esse instrumento. Mas esse quadro vem mudando através do Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola, que realiza sua final no próximo dia 27 de outubro, às 20h30, no Teatro Alfa, em São Paulo. As apresentações dos 16 fortes concorrentes serão gravadas ao vivo para a confecção de um CD. E, enquanto o público estiver esperando pelo resultado, a Orquestra Filarmônica de Violas, dirigida por Ivan Vilela, fará uma apresentação como convidada especial. A bilheteria do espetáculo será doada ao Centro Infantil Boldrini - hospital de Campinas que trata crianças com câncer.

Foram classificados para a final do Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola: Bilora (com a música Violinha Inzibida); Cláudio Moura (Cascalho); Daniel Ferreira de Paula (Lufada em Viola de Cocho); Fernando Caselato (Novos Rumos); Fernando Deghi (Amazônia); João Ormond (Pagode Cuyabá); Júlio Santin (Irapuru); Levi Ramiro (Vaquejada); Lopinho (Viola ao Pé do Toco); Márcio Freitas (Bravio); Neto Stefani (Eta Pagode); Renato Anesi (Moda Barroca); Rogério Gulin (Cactus); Sidnei de Oliveira (Esplendor); Vinicius Alves (Improviso Violado); e Zeca Collares (Da Bahia a Minas).

Lançado em maio deste ano, o Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola recebeu 173 inscrições de músicas de violeiros de todo o País. Aconteceram seis eliminatórias, cinco delas em capitais e uma no interior. Pela ordem foram: São Paulo, Brasília, Piracicaba, Curitiba, Belo Horizonte e Cuiabá. O júri do Prêmio é formado pelo violeiro Ivan Vilela, mineiro radicado em Campinas, que também está na curadoria do evento; o violonista Paulo Bellinati, de São Paulo, e o jornalista e crítico musical Tárik de Souza, do Rio de Janeiro. "Estou me surpreendendo com o nível dos candidatos, que se revela altíssimo. O prêmio tem mostrado que muita gente continua compondo obras exclusivamente para a viola, mesmo que a mídia não dê tanta atenção a esse instrumento", enfatiza Tárik.

"Com este Prêmio pode-se perceber que a viola está inserida em todos os segmentos musicais, da música raiz até os segmentos mais modernos, como rock e música instrumental brasileira. Quem for assistir, vai ficar surpreso com a sofisticação que vem sendo produzida", afirma Ivan Vilela, curador do Prêmio.

"Através do Prêmio Syngenta podemos perceber como a viola caipira é realmente o instrumento que tem a 'cara do Brasil'. Parte profunda da nossa cultura musical, está inserida em todas as classes sociais e espalhada geograficamente pelo País: além de paulistas e mineiros, há finalistas das regiões Sul, Nordeste e Centro-oeste, com perfis que variam do autodidata ao pós-graduado e do médico ao ex-eletricista", avalia Antoine Kolokathis, responsável pela organização do Prêmio.

Os vencedores receberão prêmios em dinheiro, sendo R$ 10 mil para o primeiro lugar; R$ 8 mil para o segundo; R$ 6 mil para o terceiro; R$ 4 mil para o quarto e R$ 2 mil para o quinto. Os outros 11 classificados também serão premiados: um com o Prêmio Revelação, outro com o Prêmio Aclamação e nove com o Prêmio Participação. No total, serão entregues R$ 43 mil em prêmios. Além disso, a obra desses 16 finalistas será registrada num CD gravado ao vivo, na noite da final.

A Syngenta é uma empresa líder mundial no setor de agribusiness e comprometida com o desenvolvimento da agricultura sustentável por meio de pesquisas e tecnologias. Foi criada com o objetivo de oferecer soluções e produtos inovadores para toda a cadeia de alimentos, nas áreas de proteção de cultivos e sementes. No Brasil, a Syngenta está estruturada para atender às necessidades de cada agricultor, através de profissionais qualificados e atuando nas principais regiões agrícolas do país.


Serviço:

Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola - Final
Teatro Alfa - Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 - Santo Amaro
Tel.: (11) 5693-4000
Dia 27 de outubro, às 20h30
Ingressos: R$ 5,00 (a bilheteria funciona todos os dias das 11h às 19h)
Capacidade do teatro: 1.134 lugares
Estacionamento: R$ 7,00 (R$ 14,00 com manobrista)
Mais informações ou mapa de localização: www.teatroalfa.com.br

Finalistas do Prêmio Syngenta de
Música Instrumental de Viola 2004

(nome do candidato, nome da música e cidade onde o candidato reside)

Bilora - Violinha Inzibida (Contagem-MG)
Valmir Carvalho, o 'Bilora', nasceu em Santa Helena de Minas, Vale do Mucuri. Violeiro e compositor, já gravou três discos: De Viola e Coração (1998), Fuxico no Forró (2000) e Tempo das Águas (2002). Formado em Letras, atuou por dez anos como professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Conquistou inúmeros prêmios em festivais da canção pelo Brasil, entre os quais o 3º lugar no Festival da Música Brasileira de 2000, organizado pela Rede Globo, com a música "Tempo das Águas".


Cláudio Moura - Cascalho (Recife-PE)
Cláudio Moura, natural de Recife, é bacharel em Violão pela Universidade Federal de Pernambuco. Tem participado ativamente do cenário musical pernambucano, tocando com vários grupos e artistas. Atualmente é integrante do grupo Sa grama, onde desenvolve um importante trabalho de resgate da música pernambucana. Tem participado também de diversos festivais nacionais e internacionais. É autor da trilha sonora original do filme O Auto da Compadecida.

Daniel de Paula - Lufada em Viola de Cocho (Cuiabá-MT)
Mato-grossense natural de Tangará da Serra é graduado em música pela Universidade Federal do Mato Grosso, com especialização em Antropologia. Desenvolve Pesquisa Etnomusical sobre a Viola de Cocho (instrumento típico da região) e sua Dinâmica. É também sócio Fundador do Grupo Musical Cururucuias, que objetiva a valorização e incentivo das manifestações autóctones do Estado de Mato Grosso por meio da música.


Fernando Caselato - Novos Rumos (Bauru-SP)
Nascido em Itajaí (SC), iniciou os estudos de música aos dezoito anos de idade em Curitiba (PR). Trabalha profissionalmente como professor de música, músico acompanhante e solista há 12 anos em Bauru (SP). Dedica-se a compor e a lecionar viola brasileira desde 1998. Teve como professores Amilton Godoy, Aldo Landi, Valdomiro Prodóssimo, Paulo Flores e Zé Eduardo Nazário.


Fernando Deghi - Amazônia (São Bernardo do Campo-SP)
Como Músico, pesquisador, compositor, arranjador e instrumentista, Fernando Deghi desenvolve o seu trabalho em torno da recuperação e da divulgação da viola brasileira - onde as suas composições exploram as possibilidades deste instrumento, sobretudo em termos das muitas afinações possíveis. Em 2001 editou o CD "Violeiro Andante". Tem se apresentado nos mais renomados centros musicais de São Paulo, no interior de outros estados brasileiros e em Portugal, sendo elogiado pela crítica, que o define como um dos mais versáteis musicistas do Brasil.


João Ormond - Pagode Cuyabá (Jundiaí-SP)
Natural de Mato Grosso e criado nos arredores da nascente do Rio Paraguai, gostava de ouvir as guarânias, polas, toadas e modinhas cantadas pelos ribeirinhos. Mais tarde, já morando na cidade grande, começou a pesquisar a música da fronteira oeste do Estado de Mato Grosso: juntamente com os cururus, siriris e outros folclores, nasceu a idéia de fazer, na conclusão do seu curso na Universidade Federal de Mato Grosso, a história da música na região no período de 1930-50. Gravou os seguintes CDs: "Rio Abaixo", "Capins e Riachos" e "Reduto de Violeiro".


Júlio Santin - Irapuru (São Paulo-SP)
Natural da cidade de Irapuru, ganhou sua primeira viola aos dezessete anos, como presente de um tio, logo depois de ingressar na Faculdade de Medicina de Campo Grande/MS,. Autodidata, o doutor Júlio Santin -- além de construir suas próprias violas e de compor-- atua como Cardiologista Pediátrico em vários hospitais da capital paulista Participa de encontros de violeiros por todo o País, com destaque para as participações no CD Viola de Todos os Cantos, ao lado do artesão de sons Levi Ramiro e do grupo mineiro Vento Viola, no CD Viagens nas Cordas, do violeiro Rio Pardo.


Levi Ramiro - Vaquejada (Pirajuí- SP)

Natural de Uru (SP), além de compor suas próprias letras e tocar sua viola, Levi Ramiro também cria e constróisuas próprias violas, violetas, violões e rabecas. Lançou seu primeiro trabalho em 1997, o CD Maracanãs, quando criou, ao lado do violonista e arranjador José Esmerindo e do percussionista Magrão, o Trio de mesmo nome, que desde então tem realizado shows por todo o País. Junto com o grupo mineiro Vento Viola gravou, em 2000, o CD Viola de Todos os Cantos.


Lopinho - Viola ao Pé do Toco (Campinas-SP)

Nascido em Januária, Norte de Minas Gerais, reside em Campinas desde 1976. Recebeu prêmios em Montes Claros (MG) e Curvelo (MG). Atualmente desenvolve o projeto Montes Claros Rio Acima em parceria com a Secretaria de Cultura de Montes Claros e com o Banco do Brasil, no qual ensina a construir e a tocar a viola caipira, e cujo fruto foi a criação da Orquestra de Viola de Montes Claros, na qual todos integrantes constroem seus próprios instrumentos.


Marcio Freitas - Bravio (São Paulo-SP)

Natural de São Paulo, de família mineira, atua há oito anos profissionalmente como violeiro, arranjador e compositor. Com três CDs de música instrumental de viola no currículo, atualmente está gravando seu 4o. CD. É professor de viola caipira e participa pela primeira vez de um festival.


Neto Stefani - Eta Pagode (Bragança Paulista-SP)
Tem participado de programas de TV. Algumas de suas músicas fizeram parte da trilha sonora na novela do SBT "Jamais te Esquecerei", incluindo sua participação tocando suas próprias músicas. Seu CD instrumental de viola caipira, que leva o título "Capricho de Violeiro", inclui doze músicas, sendo onze delas inéditas de sua autoria e um arranjo diferente para o Hino Nacional Brasileiro.


Renato Anesi - Moda Barroca (São Paulo-SP)
Compositor e multi-instrumentista, nasceu em 1969 no Rio de Janeiro e passou parte da infância em Petrópolis. Aperfeiçoou-se na Fundação das Artes de São Caetano (1984-1986) e em cursos particulares. Aos 16 anos profissionalizou-se como guitarrista integrando a banda de Zé Geraldo em excursões pelo Brasil (1986-1987). Destacou-se como líder do trio Corda Coral despontando como um dos maiores especialistas em instrumentos de corda : Bandolim, Viola Caipira, Cavaquinho, Violão-tenor e Violão. Seu trabalho foi selecionado no prêmio "Rumos e tendências musicais" do Instituto Itaú Cultural em 2001.


Rogério Gulin - Cactus (Curitiba-PR)
Natural de Curitiba, cursou violão clássico na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. É compositor, instrumentista, arranjador e pesquisador do folclore e da música caipira, além de fazer direção musical para peças de teatro, filmes e produção de CDs. Atualmente é integrante dos grupos musicais Viola Quebrada, Terra Sonora, Orquestra à Base de Corda e do grupo '3 de paus', que apresenta um repertório de humor caipira.

Sidnei de Oliveira - Esplendor (Caxias do Sul-RS)
Estudou com o professor Valdir Verona no período de 2000 a 2002. Em outubro de 2002 realizou seu primeiro recital de viola, interpretando, além de composições próprias, peças dos mais conceituados violeiros do Brasil. Em janeiro de 2003 participou da XXI Oficina de Música de Curitiba e do Curso de Viola Caipira com Ivan Vilela. Em março de 2004 participou do II Encontro Nacional de Violeiros em Ribeirão Preto (SP).


Vinicius Alves - Improviso Violado (São João da Boa Vista-SP)
Nascido em São João da Boa Vista, em 1986 ingressou no conservatório musical dessa mesma cidade e, em 1988, formou o grupo de rock "Luzes do Black Out". Recebeu de seu pai, em 1991, a primeira viola e desde então tem participado de festivais, programas de televisão, e recebido numerosos prêmios em todo o Brasil, como instrumentista, arranjador e compositor. Integrou o Movimento Sertanejo, evento que reunia cantadores, dos quais um foi de sublime importância para a sua formação artística: Anésio Alves, o Canarinho.


Zeca Collares - Da Bahia a Minas (Marília-SP)
Natural do Vale do Jequitinhonha, Norte de Minas Gerais, já aos 9 anos de idade tocava como violeiro em Ternos de Folia de Reis. Em 1986 gravou seu primeiro disco a convite de Dino Lopes, sob direção do pesquisador da música raiz brasileira, Téo Azevedo. Em 1995, juntamente com o compositor Valter Silva, fundou o grupo Mucunã de música regional brasileira, sendo apontado pelo jornal Estado de São Paulo, com um dos melhores grupos daquele período no gênero regional.


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