Última Eliminatória do Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola acontece em Cuiabá

A formação da personalidade musical brasileira passa necessariamente pela viola, instrumento que chegou no País pelas mãos dos colonizadores portugueses e é amplamente difundido até hoje. Apesar disso, e dos incontáveis violeiros que diversificam cada vez mais seu uso, ainda não havia uma premiação específica para esse instrumento. Mas esse quadro vem mudando através do Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola 2004, que faz sua última eliminatória em Cuiabá, no Teatro Universitário, no próximo dia 2 de outubro. Os candidatos estarão concorrendo à grande final que será realizada no dia 27 de outubro, no Teatro Alfa, em São Paulo.

A eliminatória de Cuiabá promete repetir o sucesso das anteriores e trazer gratuitamente ao público um bom espetáculo com seus sete concorrentes e um show de abertura do violeiro Ivan Vilela, também curador e jurado do Prêmio. Com ele, montam a banca de jurados o violonista Paulo Bellinati e o jornalista e crítico musical Tárik de Souza. "Estou me surpreendendo com o nível dos candidatos, que tem se mostrado altíssimo. O prêmio tem mostrado que muita gente continua compondo obras exclusivamente para a viola, mesmo que a mídia não dê tanta atenção a esse instrumento", enfatiza Tárik.

Ivan Vilela é mestre em composição musical pela Unicamp, diretor e arranjador da Orquestra Filarmônica de Violas. Já foi indicado para prêmios importantes da música brasileira, como Sharp e APCA, e tem ajudado na divulgação da viola por meio de shows realizados por todo o Brasil, além de países da Europa, como Inglaterra, Itália, França, Espanha e Portugal. O violonista Paulo Bellinati também atua bastante no exterior tendo se apresentado em mais de 30 países. Já tocou com nomes importantes da música brasileira, como Edu Lobo, Chico Buarque e Gal Costa, entre outros. Tárik de Souza é crítico musical do Jornal do Brasil e curador da série de música popular brasileira, da Editora 34, entre outros trabalhos.

Lançado em maio, o Prêmio Syngenta recebeu 173 inscrições de músicas de violeiros de todo o País. A 1ª eliminatória do Prêmio foi realizada no dia 27 de junho, em São Paulo, a segunda, no dia 14 de agosto, em Brasília, a terceira no dia 21 de agosto, em Piracicaba, a quarta foi em Curitiba, no dia 25 de setembro e a 5ª aconteceu no dia 26 de setembro, em Belo Horizonte. Durante a final, em São Paulo, será gravado um CD ao vivo com os 16 finalistas.

Os vencedores receberão prêmios em dinheiro, sendo R$ 10 mil para o primeiro lugar; R$ 8 mil para o segundo; R$ 6 mil para o terceiro; R$ 4 mil para o quarto e R$ 2 mil para o quinto. Além de outros prêmios, totalizando R$ 43 mil. Para assistir à eliminatória e ao show de Ivan Vilela, no Teatro Universitário, em Cuiabá, basta chegar com 15 minutos de antecedência do início do show, que começa às 19h.

Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola
Teatro Universitário - 02 de outubro - 19 horas
Universidade Federal do Mato Grosso
Av. Fernando Correa da Costa, s/n - Cidade Universitária - Tel.: (67) 627-3870
Ingressos: entrada franca (506 lugares)


SELECIONADOS PARA A 6ª ELIMINATÓRIA DO PRÊMIO
SYNGENTA DE MÚSICA INSTRUMENTAL DE VIOLA 2004
02 de outubro - Teatro Universitário - Cuiabá


André Balbino Ferreira - Música selecionada: Diáspora - nasceu em Guiratinga, MT, em 1965. André Balbino, tinha o bisavô violeiro e a avó flautista. A música só retorna a família na geração dele, um retorno no sentido da arte. Começa tocando guitarra em bandas de rock, mas só até conhecer a viola, que foi paixão ao primeiro acorde, como costuma dizer. Desde então, dedica-se a essa sonoridade. É autodidata, mas fez um workshop com o mestre Braz da Viola, no "Violeiros do Brasil", encontro de violeiros de todo o Brasil que aconteceu em São Paulo. Toca viola em uma banda de rock e performance chamada Caximir.


Bardo - Encontro de Feira - Ubaldo Silva de Souza, o Bardo, nasceu em Uberlândia, MG. Aprendeu os primeiros ponteados em um violão tenor com o pai, violeiro e catireiro. Depois de ficar um ano com a viola do mestre "Bastião Vermei", ganhou sua primeira viola do irmão Zezinho. Seus mestres foram muitos e o artista costuma dizer que aprendeu um pouquinho com cada um, desde seu pai. Em Viçosa, na faculdade, cantou em dupla com Venâncio e depois com Amaral. Formou um grupo de catira com os colegas da faculdade. Também fazia apresentações com seus amigos Dalci e Paulo e acompanhava Euro nos declamados de poemas caboclos. Já em Uberaba começou a cantar com Hélio e depois com Loa de Martin, apresentando-se em catiras e festivais de viola. Mais tarde formou o trio Raízes, acompanhado pelo violonista André Luiz, cantando músicas regionais e a mais pura moda de viola. Atualmente reside em Cerejeiras, RO.


Daniel Ferreira - Lufada em Viola de Cocho - mato-grossense, natural da cidade de Tangará da Serra, reside em Cuiabá há 27 anos. Músico, graduado pela UFMT, especializou-se em Antropologia, desenvolvendo pesquisa etnomusical sobre a viola de cocho e sua dinâmica (instrumento típico dessa região). É sócio fundador do Grupo Musical Cururucuias, que tem o objetivo de valorizar e incentivar as manifestações nativas do Estado de Mato Grosso através da música. O grupo compõe e interpreta músicas regionais em estilos variados, mesclando instrumentos usuais, como violão e contrabaixo, aos instrumentos mais originais como a viola de cocho, o mocho, o ganzá, pios e pau de chuva, entre outros.


Edu Franco - Ave Maria do Pantanal - iniciou seus estudos de violão aos nove anos de idade com os professores e músicos sul-mato-grossenses Carlos Colman e Orlando Brito, em 1983. De 1988 a 1993 teve aulas de violão clássico com o professor José Maciel, seguindo a metodologia musical do professor Henrique Pinto. Daí participou de recitais de violão clássico no Estado de Mato Grosso do Sul e em São Paulo, no Conservatório Souza Lima. Em 1991 começou, como autodidata, seus estudos de viola caipira, transpondo para esse instrumento alguns clássicos do violão como Lágrima, de Tarrega e o Estudo n.º 1 de Villa-Lobos. Há cerca de dez anos tem se dedicado à composição musical popular, em parcerias com músicos e poetas mato-grossenses, como Marco Ribas e Emmanuel Marinho. Sob a influência de André Geraissati, Eduardo Agni, Renato Andrade, Roberto Corrêa e Tavinho Moura, Edu Franco se dedica às composições instrumentais em viola caipira, além de estar pesquisando o instrumento na região sul do Pantanal mato-grossense.


Orlando Fernandes - Serenata no Araguaia - Orlando Fernandes é o precursor do grupo de Catireiros do Vale do Araguaia. Músico, cantor, violonista, compositor e catireiro, tem no grupo de catireiros sua esposa e filhos, além de que todos os componentes são da mesma família: filhos, netos e bisnetos. Todos foram ensinados nesta tradição, portanto, todos tocam, cantam e dançam o catira, tanto os homens quanto as mulheres, buscando preservar o catira e a música sertaneja de raiz.

Roberto Victorio - Prelúdio 42 - O músico é mestre em composição e doutor em etnomusicologia. Como compositor tem em seu catálogo mais de uma centena de obras gravadas e executadas em grandes eventos no Brasil e no exterior, recebendo inúmeros prêmios, dentre eles: Contrechamps (1995); Latino Americano para orquestra (1985); Festival Internacional de Budapest (1990); Sociedade Internacional de Música Contemporânea (1999); Tribuna Internacional da Unesco (1995/97/99), além de premiações brasileiras. Como regente, atuou com a Orquestra de Câmara do Rio de Janeiro e a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso, com um repertório exclusivamente voltado para a produção contemporânea, além do Grupo Música Nova, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É regente e diretor musical do "Sextante", grupo de câmara que fundou em 1986, no Rio de Janeiro. Tem seis CDs gravados: Bifurcações, Grutas Permitidas, Roberto Victorio e Novo Horizonte, Obras para Violão, Obras de Câmara I e Obras de Câmara II.

Silviole - Viola, Viola, Viola - Sile do Nascimento, o Silviole, nasceu no município de Lavínia, São Paulo e mudou-se para Cuiabá em 1975. De lá, o imigrante trouxe consigo talentos múltiplos adquiridos a partir dos dez anos de idade, quando começou sua paixão pela viola. Hoje, aos 59 anos, professor de viola há dez anos, o músico já ensinou mais de 260 alunos a dominar o instrumento. Possui a música como profissão há mais de 20 anos. Já gravou um CD com 11 músicas inspiradas no passado, lembrando da vida no campo, das coisas do sertão, e já prepara o segundo CD. Silviole também trabalha como projetista na Secretaria Estadual de Cultura.

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