5ª Eliminatória do Prêmio Syngenta de Música
Instrumental de Viola será em Belo Horizonte

A formação da personalidade musical brasileira passa necessariamente pela viola, instrumento que chegou no País pelas mãos dos portugueses e é amplamente difundido até hoje. Apesar disso, e dos incontáveis violeiros que diversificam cada vez mais seu uso, ainda não havia uma premiação específica para esse instrumento. Mas esse quadro vem mudando através do Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola 2004, que realiza sua 5ª eliminatória no próximo dia 26 de setembro em Belo Horizonte, no Teatro do SESI Minas. Os dez candidatos que se apresentam em BH estarão concorrendo à grande final que será realizada em São Paulo.

A eliminatória de Belo Horizonte promete repetir o sucesso das anteriores e trazer gratuitamente ao público um bom espetáculo com seus concorrentes e um show de abertura do violeiro Ivan Vilela, também curador e jurado do Prêmio. Com ele, montam a banca de jurados o violonista Paulo Bellinati e o jornalista e crítico musical Tárik de Souza. "O Prêmio Syngenta vem mostrando uma riqueza escondida. Fico contente de ver que esse Brasil da viola existe e continua pulsando", afirma Bellinati.

Ivan Vilela é mestre em composição musical pela Unicamp, diretor e arranjador da Orquestra Filarmônica de Violas. Já foi indicado para prêmios importantes da música brasileira, como Sharp e APCA, e tem ajudado na divulgação da viola através de shows realizados por todo o Brasil, além de países da Europa, como Inglaterra, Itália, França, Espanha e Portugal. O violonista Paulo Bellinati também atua bastante no exterior tendo se apresentado em mais de 30 países. Já tocou com nomes importantes da música brasileira, como Edu Lobo, Chico Buarque e Gal Costa, entre outros. Tárik de Souza é crítico musical do Jornal do Brasil e curador da série de música popular brasileira, da Editora 34, entre outros trabalhos.

Lançado em maio, o Prêmio Syngenta recebeu 173 inscrições de músicas de violeiros de todo o País. A primeira eliminatória do Prêmio foi realizada no dia 27 de junho, em São Paulo, a segunda, no dia 14 de agosto, em Brasília, a terceira no dia 21 de agosto, em Piracicaba, a quarta dia 25 de setembro, em Curitiba e, depois de Belo Horizonte, acontece a sexta e última eliminatória no dia 2 de outubro em Cuiabá. A final será realizada em São Paulo em data a ser definida. Na ocasião, um CD será gravado ao vivo com os 16 finalistas.

Os vencedores receberão prêmios em dinheiro, sendo R$ 10 mil para o primeiro lugar; R$ 8 mil para o segundo; R$ 6 mil para o terceiro; R$ 4 mil para o quarto e R$ 2 mil para o quinto. Além de outros prêmios, totalizando R$ 43 mil. Para assistir à eliminatória e ao show de Ivan Vilela, o público deve retirar os ingressos a partir do dia 22/9 na bilheteria do Teatro do SESI Minas, das 13 às 19 horas, na bilheteria do teatro.

Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola 2004
Teatro SESI Minas - 26 de setembro - 19 horas
Rua Padre Marinho, 60 - Santa Efigênia - Tel.: (31) 3241-7168
Entrada Franca (684 lugares) - Retirar ingressos a partir do dia 22/9 - 13h às 19h

SELECIONADOS PARA A 5ª ELIMINATÓRIA DO PRÊMIO
SYNGENTA DE MÚSICA INSTRUMENTAL DE VIOLA
26 de setembro - Teatro do SESI Minas - Belo Horizonte

Dimas Soares - Música Selecionada: Viola de Brinquedo - Natural de Poté, no Vale do Mucuri, Minas Gerais, viveu a infância em contato com as diversas manifestações da cultura interiorana como reisados, cantigas, danças tradicionais, entre outras. A partir de 1975, vai para Belo Horizonte, sem perder contato com a vida rural e suas manifestações. Na capital mineira, forma-se em História pela FAFI, além de continuar os estudos de viola caipira (10 cordas) de acordo com as normas da "Escola Tradicional de Viola Caipira". Participou de diversos projetos como o CD Diadorado, de Tavinho Moura, com pesquisa musical, Canto da Viola, de Angela Lopes e Chico Lobo, Toques de Viola Caipira, da PUC, projeto Vinil Além das Montanhas, numa fusão místico-erudito, de Wagner Pereira, projeto Cravos na Janela (300 anos da Canção Brasileira) de Mara de Aquino. Ainda, participou do programa Viola Minha Viola, da TV Cultura São Paulo.


Eduardo Camenietzki - Toccata II - Instrumentista e compositor carioca, foi membro da Orquestra de Violões, de Turíbio Santos, gravando seu primeiro disco pela Kuarup. Foi guitarrista da UFRJAZZ Ensemble e gravou no primeiro CD da Orquestra. Foi diretor musical e violeiro do grupo "O Quinto". Pela Funarte, gravou o Estudo n.º1 para violão, no LP "Homenagem à Esther Scliar". Além destes, seu primeiro disco autoral como violonista e compositor, "Eduardo e Wagner", teve capa criada por Oscar Niemeyer. Seu mais recente CD, com criações próprias e feito de modo independente, foi editado pela Stark-Musik, de Leipzik, Alemanha. Criou os temas de violão do capitão Rodrigo, na minissérie "O Tempo e o Vento", além de inúmeros outros temas para outras séries da Rede Globo, com destaque para "Grande Sertão: Veredas". Criou temas para telejornais da TV Cultura, no ar de 1999 a 2003. Foi responsável pelo pavilhão brasileiro, nas Expo-92, em Sevilha, na Espanha.


Fabrício Conde - São de Viola - Nasceu em 1976 em Juiz de Fora, mas reside atualmente na cidade de Chácara, onde se inspira para suas canções. Começou a estudar música aos oito anos, tornando-se profissional em 1991. Entre 1991 e 2000, antes de desenvolver seu trabalho autoral, Conde participou de apresentações ao vivo, gravações e desenvolvimento de arranjos junto a diversos artistas. Em 2002, viajou pelo interior divulgando seu primeiro disco solo chamado "São de Viola", tendo alcançado cidades de Minas, Alagoas, Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás. Além das atividades musicais relacionadas acima, Conde é diplomado pela Universidade Federal de Brasília, no curso de Equoterapia, como equitador e pelo Senar, com cursos de plantas medicinais; olericultura; caprinocultura; laticíneos e derivados do leite.


Juarez Sales Santos - Alvorada - Músico e violeiro, palestrista e professor de viola. Criativo e eclético, utiliza-se de ritmos que vão do regional ao jazz, sem perder as características básicas do instrumento. Influências: pífanos nordestinos, sanfona, Almir Sater e Renato Andrade. É músico instrumentista desde os 16 anos. Participou de vários festivais de MPB/MG. Desde 1998 deixou-se contagiar pela magia da viola caipira, tornando-se um estudioso do instrumento em tempo integral, dedicando-se a pesquisas da sua origem, potencialidades e efeitos sonoros. Tem mais de 50 composições, num repertório eclético, entre instrumentais e canções com poesias. Em 2003 lança seu primeiro CD "Viola Encantada", na sala Juvenal Dias, do Palácio das Artes em Belo Horizonte. Entre 2002 e 2004 foi finalista em três edições consecutivas do Festival de Música Instrumental do BDMG Cultural, tendo sido reverenciado, pelo público, como melhor apresentação nas edições de 2002 e 2003.

Maurício de Abreu Feres - Seu Boticário - Iniciou-se na música com o violão aos 13 anos de idade, em 1983. Em 1985 começou a compor e foi premiado no FestCAP - Festival do Colégio de Aplicação da UFRJ. Iniciou estudos na Escola de Música Antônio Adolfo, entre 1990 e 1993. Em 1995 comprou sua primeira viola caipira e teve seu primeiro professor: Yassír Chediak. Em 1996 participou, como violonista e violeiro, da estréia da peça Francisco de Assis, de Ciro Barcellos. Formou, em 1998, com Norma Nogueira, acordeonista irmã de Zé Nogueira, grupo de música de raiz que anima festas juninas em escolas e clubes cariocas. Atualmente está tocando viola caipira na Folia de Reis Sagrada Família, do morro da Mangueira, e faz participação no grupo Gesta, de música armorial.


Paulo Mourão - Água, Areia e Sertão - Jornalista e violeiro, Paulo Mourão conhece o Brasil. Na infância, a convivência com os matutos mineiros. Na juventude, os mistérios da Amazônia, dos seres encantados, dos caboclos. Adulto, o Nordeste com sua magia, seus profetas, seu messianismo. "Minha viola tem magia, veio da Bahia, subiu o São Francisco, deu um risco bonito no azul mais profundo do infinito, no mar foi se banhar. Minha viola é benzida e rezada com a força e a bondade de Iemanjá. Minha viola é mineira, fez da sanfona companheira e do pandeiro bom parceiro. Minha viola tem a alma do povo brasileiro". Paulo Mourão gravou três CDs independentes: Minas é Gerais (1998), Grande Viagem de Luz (2001), Os Caboclos das Matas (2004).


Rodrigo Delage - Lagoa da Tapera - Nascido em Belo Horizonte, porém tendo morado em algumas cidades do interior, dentre elas Pirapora. Sempre viajando pelos rios São Francisco, Das Velhas, Urucúia, ele ouve 'causos', grava paisagens, escuta e observa os bichos, e traz tudo isso para o universo da viola. Tendo influências de violeiros de todo país, principalmente dos mineiros, seus toques estão sempre ligados ao sertão, ao mato, ao rio e às tradições populares daqueles que neles vivem. Lançou em 2004 o seu primeiro disco solo "Viola Caipira Instrumental", distribuído pela Tratore, onde contou com a participação de diversos músicos, dentre eles, Pena Branca e o violeiro Chico Lobo. Participou do CD "Viola Caipira, Tradições, Causos e Crenças" e "Reinado", ambos de Chico Lobo, e também de disco coletânea do Projeto Zás, da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, com a faixa "Mineira Viagem", em parceria com o escritor Olavo Romano.


Valmir Ribeiro (Bilora) - Violinha Inzibida - Valmir Ribeiro de Carvalho, o Bilora, nasceu em Santa Helena de Minas, Vale do Mucuri, divisa com o sul da Bahia. Ali viveu até os 28 anos. Atualmente reside em Contagem, MG. É músico, violeiro e compositor. Tem três discos gravados: De Viola e Coração (1998), Fuxico no Forró (2000) e Tempo das Águas (2002). Formado em Letras pela FENORD, em Teófilo Otoni, atuou 10 anos como professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e também como instrutor de Oficina de Música durante três anos. Ganhou inúmeros prêmios em festivais da canção pelo Brasil, como Canta Minas - 95 (Organizado pela Rede Globo Minas); FestBelô - 2000; Festivale-98; Roda Viva (Ipatinga); Femp (S. José do Rio Pardo-SP) - 2001 e 2002; Ilha Solteira-SP - 2001 e 2002; Avaré- 2002. Em 2001 foi premiado no Circuito Paulista de Festivais, na capital de São Paulo, que reuniu os melhores do ano no estado. O prêmio mais notável foi o 3º lugar com a música "Tempo das Águas" no Festival da Música Brasileira de 2000, organizado pela Rede Globo.

Victor Batista - Rio Corteza - Além do trabalho solo, Victor Batista é um dos fundadores do Grupo Minadouro e componente da Orquestra Mineira de Violas. Já passou por grupos que reforçaram sua trajetória musical, como os grupos para-folclóricos Sarandeiros e Conga, representando o Brasil em festivais internacionais de danças folclóricas, que contribuíram nas experiências adquiridas em pesquisas sobre o universo da cultura popular brasileira. Formado em Letras é também cantor, compositor, violeiro e pesquisador da cultura popular, fazendo da didática seu método para os estudos e pesquisas da cultura popular. Em seu recente trabalho, o CD "Além da Serra do Curral", mostra uma leitura contemporânea da música caipira. Desenvolveu diversas atividades artísticas relacionadas à educação, destacando experiência com a Cultura Popular Mineira, danças, brincadeiras e parlendas; com teatro (circo, teatro e bonecos) no Grupo Curinga de Teatro e como corista no Coral Uni-BH.


Zé Helder - Fiote - Zé Helder é um artista que reúne em sua viola caipira diferentes expressões musicais. Gravou o CD Orelha de Pau, em 2002, trabalho inspirado na música regional e caracterizado pela instrumentação acústica e coro de três vozes. Está gravando seu primeiro trabalho solo: o CD A Montanha, com composições vocais e instrumentais, além de algumas versões. Esse projeto foi viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura de Pouso Alegre. Já se apresentou em diversos programas de rádio e televisão, inclusive no Caminhos da Roça, da EPTV, afiliada da Rede Globo. Formado em Licenciatura Plena em Música, é professor de música há sete anos. Criou o curso de viola caipira no Conservatório de Pouso Alegre, onde ensina o instrumento e coordena o trabalho do Terça Cabocla, grupo formado por alunos que executa seus arranjos. Participou de vários CDs como instrumentista e compositor.


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